Sua bolha, Nosso mundo

Você acorda e a primeira coisa que faz é desligar o despertador que tocou – no seu celular. Zapeia entre as redes que mais usa (Whatsapp, Facebook + Messager, Instagram, Twitter), e, quando se dá conta, já se foram ao menos 20 minutos da sua manhã, e você ainda na cama, e com o celular na mão. Toma banho, se veste e sai comendo algo no caminho. No caminho para o trabalho, vai consumindo mais feeds. No final do dia, você absorveu um monte de assuntos, todos com os quais você já está acostumadx a ver/ler todos os dias, das mesmas pessoas e dos mesmos canais.

Um celular na mão, muitas coisas na cabeça e algumas na rede. Todos os acontecimentos políticos que ocorreram nos últimos 5 anos em nosso país colaboraram com a polarização de opiniões e o crescimento massivo do uso das opções de “Bloquear” ou “Deixar de seguir”, em todas as redes sociais. Entrar em contato com opiniões iguais às nossas dá conforto, certeza de que estamos pensando “corretamente”, e ai de quem não pensar igual – não passa na minha peneira, não estraga o meu feed, não perfura a minha bolha.*

Recentemente, Lula foi preso, e mais uma vez, vimos o país conflitar em todas redes sociais. Junto com esse momento, acontece também um dos maiores escândalos de vazamento de dados já ocorrido, provocando questionamentos sobre 1) o quanto a web sabe de nós e 2) se nossas opiniões são fruto ou não de todas as informações criadas por grandes investidores e veículos midiáticos. Nessa mistura de pontos, resgato as provocações que o jornalista Eli Pariser traz à tona em um TED realizado em 2011, que parece uma premonição diante do exato momento em que vivemos hoje.

Tá dificil, né gente. Quanto mais a gente não se abre para pontos de vista diferentes e para o diálogo, mais difícil é crescer, evoluir. 

O bom é que às vezes aparecem umas coisas boas, então venho por meio desta lhes apresentar para vocês o Mappa. Criado pela Inesplorato, uma empresa que se auto-denomina “curadora do conhecimento”, ajudando empresas e pessoas a tirarem proveito das toneladas de conteúdos produzidos diariamente em todos os cantos do mundo [só falar deles também dá outro post. desde que soube da existência da “Ines” (toda íntima hahaha) cultivo uma paixonite. admiro a ideia do negócio, como atuam, como apresentam seus trabalhos].

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O Mappa funciona como um guia de filmes, artigos e palestras que ampliam seu conhecimento para você mudar o mundo, sem algoritimos. Você vai acessando os conteúdos e criando uma rota, e custa (pasmem) R$ 10,00 por mês.

Ah, Paula, não quero pagar para poder ampliar meus horizontes

Tudo bem, coleguinha. Algumas práticas podem te ajudar a buscar novas formas de pensar por conta: leia mais (experimente estilos literários que você nunca se permitiu), busque exercitar sua criatividade, se informe através de outros meios que não só as mídias de massa,e desenvolva crítica. A escrita ajuda, viu? Digo isso por experiência própria.

“A internet mostra aquilo que ela pensa que queremos ver, mas não necessariamente o que precisamos ver”, falou Pariser.  Será que realmente sabemos o que precisamos? 

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P.S.:

* Liberdade de opinião e aceitação de quem pensa diferente de nós não significa que devemos nos manter “amigos” de quem prega racismo, homofobia, xenofobia, misoginia ou qualquer coisa que se apresente contrária aos Direitos Humanos. Isso não é opinião, é crime.
“Menos conhecido é o paradoxo da tolerância: tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos tolerância ilimitada até mesmo para aqueles que são intolerantes, se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante contra a investida dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, e a tolerância junto destes.” (A Sociedade aberta e seus inimigos, Karl Popper).